ALCOOLISMO
ALCOOLISMO
Em fins do século XIX, um médico sueco, de nome Magnus Huss, empregou pela primeira vez a expressão alcoolismo para designar o conjunto de sintomas físicos e psíquicos do uso abusivo do álcool. As desordens psíquicas conseqüentes à intoxicação alcoólica se filiam ao chamado alcoolismo cerebral.
Causas e conseqüências – Velho como a humanidade, o álcool é um dos maiores flagelos não só para o indivíduo que a ele se entrega como também para a sua descendência. As bebidas fermentadas eram usadas já em tempos memoriais. Mas as destiladas, que são as mais nocivas, só se tornaram conhecidas após a descoberta da destilação, no século XI, o que se deve ao químico árabe Albucasis. As bebidas fermentadas não contêm percentagem de álcool superior a 12 e 14 por cento, pois acima desse ponto de concentração a toxina alcoólica destrói os germes fermentos que produziram. Dentre as numerosas variedades de bebidas alcoólicas encontradas no comércio, uma das mais nocivas para o sistema nervoso é sem dúvida a pinga, responsável por uma das formas mais graves do alcoolismo cerebral, que é o “Delirium Tremens”.
Entre nós, a aguardente de cana é a bebida mais vulgarizada na classe pobre, provocando o chamado alcoolismo domingueiro: nos dias de festa e nos feriados os lavradores se reúnem nos arraiais e nas vilas para se entregarem as libações alcoólicas. O mesmo fazem os operários nas grandes cidades e, sob a ação do álcool, uns e outros são levados, não raro, a praticar atos delituoso. Segundo estatística publicada pela Seção de Medicina e Criminologia da Penitenciária do Estado de São Paulo, há algum tempo verificou-se os seguintes resultados no que toca os homicídios pelos dias da semana: 283 nos domingos;112 nas segundas-feiras; 99 nas terças; 100 nas quintas; 86 nas sextas e 142 nos sábados. Em relação ao alcoolismo cerebral por nós recolhida no Hospital de Juquery forneceu os seguintes dados: em 348 homens entrados naquele hospital, 130 abusavam do álcool e apresentavam distúrbios mentais em conseqüência dos seus efeitos; em 156 mulheres, 13 eram bêbadas habituais. Temos, portanto, em 504 indivíduos recolhidos a um hospital psicopático, 143 alcoólatras, o que nos dá uma percentagem de 28,95% de alienados contando o alcoolismo nos seus antecedentes.
Fonte: Boletim Adauri Alves
Adauri Alves é escritor, jornalista (Francisco Morato/SP).
Matéria do fanzine Episódio Cultural
machadocultural@gmail.com

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